O Globo, Flávia Monteiro, 02/jan
As previsões, pra lá de otimistas, se confirmaram ao longo de 2010. A expectativa é de que o ano tenha terminado com 450 mil imóveis financiados apenas com dinheiro da poupança, gerando R$53 bilhões em empréstimos para a compra da casa própria. Um montante que supera em 55,8% o de 2009, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Para este ano, a projeção é de um crescimento de 29,3% em crédito, com o financiamento de cerca de 585 mil unidades.
- Hoje, por mês, são concedidos mais de R$3 bilhões em crédito, o que corresponde ao volume registrado, por exemplo, em todo 2004. Creio que, em 2014, o crédito imobiliário terá chegado a 11% do PIB (hoje está em 3%), com uma carteira da ordem de R$520 bi - diz Luiz Antonio França, presidente da Abecip.
Mas tamanho crescimento obrigará o setor a buscar outras fontes de financiamento:
- Enquanto a poupança cresce 20%, o crédito imobiliário aumenta 50%. Ou seja, teremos que buscar alternativas, como a securitização e os covered bonds (título emitido por instituições financeiras), que já têm ampla aceitação na Europa - completa França.
Rio deve crescer de 10% a 15%
A previsão da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-Rio), por sua vez, estima que o número de lançamentos no estado tenha crescido 25% em 2010. Uma alta puxada, principalmente, pela classe de renda baixa, por imóveis de até R$150 mil, informa seu presidente, Rogério Chor:
- O ano ficou marcado pela diversificação dos investimentos feitos pelas empresas. O mercado hoje está mais esparramado, com lançamentos sendo feitos em regiões que há tempos não recebiam um empreendimento. É o caso de São Cristóvão, Campo Grande, Baixada Fluminense e Itaboraí.
E como será 2011?
- Devemos crescer entre 10% e 15%. Dificilmente vamos repetir 2010. Este é um ano que deverá ser marcado por grandes obras de infraestrutura na cidade - afirma Chor.
Ainda por conta dos lançamentos no interior do estado em 2010, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ), a procura por imóveis em Itaboraí e São Gonçalo aumentou 50%, a reboque do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Já em Macaé, onde o setor petrolífero caminha a pleno vapor, o crescimento do setor foi 30% superior ao de 2009. E não deve parar por aí.
Só na cidade do Rio, o número de unidades residenciais lançadas em 2010 deve chegar a 15 mil, contra 11.208 do ano anterior. A Barra se mantém na liderança, com 2.534 imóveis, seguida de perto por Campo Grande, com 2.419; e por Jacarepaguá, com 1.951 unidades.
Em sexto lugar no ranking da Ademi, a Tijuca foi o bairro que mais se destacou no ano, na avaliação do vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider. Até o fim de novembro, a região teve 581 unidades lançadas, 45,2% a mais do que em 2009:
- Houve um resgate do bairro a partir da chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). As construtoras correram atrás de terrenos e o carioca correspondeu. Lançamentos foram vendidos em tempo recorde.
Impulsionado por este mercado - cuja participação no setor chegou a 70% no ano passado -, a construção civil no Estado do Rio, por sua vez, cresceu de 11% a 13%, segundo os cálculos do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann:
- A expectativa é de que o Rio mantenha esse ritmo de crescimento agora em 2011. Além dos lançamentos imobiliários, estão previstas uma série de obras de infraestrutura.
Aluguéis em alta recorde
Ainda segundo o vice-presidente do Secovi Rio, 2010 foi o ano que consolidou o aluguel como uma boa opção... para os proprietários. Até novembro, bairros como Botafogo já acumulavam valorização de 74% para apartamentos de dois quartos e de 118% para os de três. Na média geral da cidade, informa o Creci-RJ, a alta foi de cerca de 25% - locadores passaram, inclusive, a retomar seus imóveis para obter ajustes de preço bem acima da inflação. O fenômeno é particularmente forte na Zona Sul, por conta da falta de espaço para novas construções.
- A nova Lei do Inquilinato deu mais garantias e agilidade ao processo, e a locação se tornou ótimo investimento - diz Schneider.